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Blog / Diário de bordo

Viajando por Benin, um país africano cheio de histórias para contar

jul, 06

O Benin não é um dos destinos mais emblemáticos quando se pensa em África. Aliás, muito pelo contrário. É um lugar ainda pouco visitado e conhecido turisticamente. Mas é justamente essa singularidade que faz com que esse pequeno país seja um dos pontos mais surpreendentes e encantadores do continente africano. 

Quem nos acompanha por aqui sabe bem que o que mais nos encanta é criar roteiros para destinos inusitados. Nós amamos acompanhar nossos clientes vivendo experiências diferentes, conhecendo lugares menos óbvios e voltando para casa com muitas histórias e memórias marcantes.

Então, quando o nosso querido amigo e cliente Carlos Zanetti, que está conosco há mais de 12 anos, nos procurou para uma viagem ao Benin, pedimos para embarcar junto com ele e seu guia local, o Omar, por meio de suas fotos (maravilhosas!), relatos e impressões. 

Ele topou compartilhar todos os detalhes dessa rica experiência… Confira o diário de bordo dessa viagem abaixo!

Texto escrito por Carlos Zanetti – amigo e cliente da Adventure Club

1º e 2º Dias: Chegada em Cotonou

Minha viagem começou com uma pequena pausa em Paris para depois embarcar para Cotonou, a maior cidade do Benin.

Ao comprar algo para comer, a atendente ficou emocionada ao saber que eu estava a caminho de Cotonou. Ela saiu de lá há uma década procurando uma melhor qualidade de vida e até hoje não encontrou meios para retornar.

3º Dia: Cotonou – Ganvie

Acordamos, tomamos café da manhã e fomos visitar uma catedral com influências portuguesas. Pelo que me foi dito, o arcebispo (não sei se seria essa a nomenclatura mais correta), foi quem convenceu o ditador a fazer um tipo de plebiscito para que o país se tornasse mais democrático. Ele está enterrado nesta igreja. 

Saindo de lá, pegamos uma canoa motorizada para Ganvie, considerada Patrimônio Mundial da UNESCO e carinhosamente conhecida como “Veneza Africana”. A cidade surgiu como um refúgio para aqueles que chegavam de Cotonou e Porto Novo em fuga da escravidão da Coroa Portuguesa. Aos poucos, a região foi se desenvolvendo. Ainda hoje, os moradores vivem da pesca de subsistência.  

Ganvie possui cerca de 72 mil habitantes que moram em palafitas. Ao todo, são 12 bairros. Cada família tem dois barcos, um do “homem da casa”, que geralmente é pescador, e outro da esposa, que fica responsável por ir até o mercado para vender os peixes. Foi super interessante adentrar os canais e ver de perto o cotidiano dos moradores. Uma experiência incrível e bem diferente.

Depois disso, fomos almoçar. Pedi para comer em um restaurante local, onde também pude experimentar uma típica bebida fermentada, que parece kombucha. Uma delícia! Depois fomos para o Dantokpa, o mercado central de Cotonou, considerado o maior da África Ocidental. Lá, você encontra absolutamente tudo.

Os mercados africanos são muito parecidos; de tão caóticos, são muito organizados. Um dos setores mais interessantes é a área de fetiche. Nesse local, conheci uma senhora em uma tenda repleta de ervas e outros produtos naturais, muito conhecida e procurada pelos moradores locais em casos de enfermidades ou mal-estares.

Notem que em sua cintura há três bonequinhos de madeira, representando os três filhos que ela perdeu. Essa é uma das simbologias do vodu, religião tradicional da maioria da população do Benin. Foi algo que me chamou muito a atenção!

4º Dia: Porto Novo

Seguimos viagem até Porto Novo, a capital política do Benin. A cidade, com forte influência portuguesa e brasileira, é repleta de edifícios que revelam informações importantes sobre a sua história.

Visitamos o bairro colonial, onde se destaca o mais puro estilo afro–brasileiro, e o mercado central. Uma cooperativa super auto sustentável em todos os aspectos. Água reutilizada; tudo que se come é cultivado de forma orgânica; não há água quente nos chuveiros. Tudo é o mais simples possível.

Lá, o grupo étnico dominante é o Iorubá, que cultua as divindades do panteão vodu-orixá. 

5º Dia: Porto Novo – Onigbolo – Cove

Acordamos cedo e pedi ao Omar, o guia que me acompanhou em toda a viagem, que me levasse novamente à catedral portuguesa que fora transformada em Mesquita para fotos com uma luz melhor. Tomamos café (que não é café, já que é um item de extremo luxo por lá) em um lugar local. Compramos um Nescafé solúvel mesmo.

Seguimos então em direção a Cove. O dia foi intenso e corrido. 

Fomos a diversas pequenas lojas para que eu encontrasse uma forma de colocar mais créditos na internet do meu celular. Nesse meio do caminho, avistamos uma aglomeração e uma grande festa. Para minha surpresa era um cortejo fúnebre! As pessoas estavam cantando e dançando a morte de uma senhora de 68 anos. 

Lógico que pedi ao Omar que parasse e, caso não houvesse nenhum desrespeito, que eu pudesse participar. Logo então fui convidado pelo filho da falecida, que arranhava algumas poucas palavras em espanhol, me chamando para eu participar do cortejo, das celebrações e da grande festa. Eles levavam a caixa funerária em todos os lugares e a balançavam como se a finada senhora pudesse também participar daquele momento.

Neste dia, também fomos em outros dois mercados autóctones, onde as mulheres (grande maioria, pois são impossibilitadas de estudar) levam o que plantam e colhem. Se vê de tudo. Porém, um tudo que se planta, colhe ou se fabrica de forma artesanal.

Por último e mais importante, fomos à Aldeia de Onigboló, o “Reino dos Huli”. Parece história tirada de livro infantil, mas não… Os Huli, uma pequena etnia, vivem em meio a florestas e foram descobertos quando se fora correr a estrada ligando Porto Novo a Cove (que fica praticamente na fronteira com a Nigéria). Inclusive, acreditava-se que a origem desse pequeno povo seria a vizinha Nigéria.

Enfim…

Os Huli têm um REI! E eu o conheci! Salomão II governa todo o território Huli e dita o certo a se fazer. Tive a permissão dele para conhecer todo o seu povo. 

Os Huli vivem de forma totalmente primitiva. Falam seu próprio idioma. Não são alfabetizados e muito menos cada um sabe a sua própria idade. Até hoje, mantêm a tradição da tatuagem e da escarificação corporal, que são como uma identidade para cada uma das etnias. Podem significar força, beleza e até a chegada à idade adulta. 

6º Dia: Cove

Tomamos café da manhã em Cove e seguimos para Gbanamé, de onde fizemos uma excursão às Colinas de Agonli para conhecer o modo de vida das duas etnias que vivem nesta região desconhecida do Benin: os Fulani, também conhecidos por Mbororo, e os Fon Agonli, também chamados de Dahomey.  

Os Fulani são uma tribo nômade com tradições profundamente enraizadas. Geralmente, quem constroem as casas são as mulheres. Os homens cuidam do campo e do gado (vacas e cabras). Levamos esteiras para eles dormirem, pirulitos para as crianças e maquiagens para as meninas.

Na sequência, fomos visitar a tribo Fon, uma tribo não-nômade que, mesmo com o passar do tempo, manteve parte de sua religião e tradição intacta. Suas casas são feitas de barro (semelhantes às que são encontradas no Nordeste do Brasil), com um pouquinho de palha, pedaços de pedra e conchas para ter uma liga parecida com o cimento. 

O mais legal deste dia foi participar de várias celebrações. A primeira foi uma cerimônia cristã, logo pela manhã. Muito bonita! Eles cantam e dançam bastante, parece até que você está em uma festa. Depois, participei de outro funeral, que a princípio também achei que fosse uma festa, pois estava todo mundo muito bem vestido e maquiado. 

No Benin, quando uma pessoa mais velha morre, todos cantam e dançam, como se fosse uma celebração de despedida para a pessoa que encerrou o ciclo aqui.  

7º Dia: Cove – Dassa Zoume

Quanto mais ao norte caminhamos, mais vemos a essência e a primitividade de hábitos e costumes ancestrais. Parece que estamos em um mundo à parte. Um mundo esquecido pela civilização moderna.

Tomamos café da manhã com um Baobá ao fundo. A árvore da vida na África. 

Nas colinas sagradas próximas de Dassa, as pedras de granito são esculpidas para que acumulem água das chuvas ou mesmo para o preparo e manuseio de alguns alimentos. Cada colina de granito abriga um templo de vodu, que é acessado para funerais de reis e príncipes, para rituais e cerimônias. 

Esta área é o coração do país iorubá, onde muitas tradições orixás permanecem intactas.

8º e 9º Dias: Abomey – Bopa – Possotome

Em direção ao sul, chegamos em Abomey, a cidade mais importante da África durante os séculos XVI e XVII. Os complexos dos Palácios de Dahomey são imperdíveis. Tombados como Patrimônio Histórico Mundial pela UNESCO, traduzem muito o que fora o Benin antes dos colonizadores. 

Curiosidade: os descendentes dos reis do antigo reino de Dahomey são intitulados príncipes. E cada um tem seu próprio palácio, adornado com figuras trabalhadas por artesãos locais em alto relevo e com figuras que representam cada reinado.

Em Bopa, uma tradicional vila de pescadores, fui recebido pelo sacerdote mais importante do local. Ele guarda o fetiche do Deus do Raio e me recebeu em meio a uma audiência pública em seu templo. Ocorreu um furto dias antes e, junto de seus conselheiros, estava na “sala da justiça” decidindo o que deveria ser feito. 

Cheguei em Possotomé, uma vila de pescadores às margens do Lago Ahemé, e tive uma grata surpresa! A tranquilidade do lago e a forma como os moradores do vilarejo me receberam, fazendo do sorriso o seu “bem-vindo”, foi muito especial. Finalizei o dia apreciando a naturalidade do hotel, com bangalôs sobre o lago. 

10º Dia: Possotome – Sé – Come – Grand Popo 

Em mais um dia de viagem, cheguei em Grand Popo, uma linda vila colonial de pescadores. Mar de água azul cobalto que ressoa o céu sem nuvens.

A presença portuguesa, alemã, francesa e também brasileira é comum por lá. Antigas casas coloniais que foram deixadas mostram uma arquitetura que por vezes parece que estamos em casa. 

Pela primeira vez, encontrei duas turistas. Duas senhoras francesas. 

11º Dia: Grand Popo – Ouidah

Este dia foi intenso! Saímos de Grand Popo pela manhã em sentido à cidade que mais remete ao nosso Brasil: Ouidah. A influência brasileira na arquitetura é notável. Por momentos, me senti em alguma rua do Pelourinho.

Dessa vez me empolguei. Exagerei nas fotos!

Notem quem são “mestiços”. A senhora costureira tem a pele mais clara. Fruto da miscigenação. As ruas e famílias têm nomes e sobrenomes brasileiros e portugueses que lá estiveram e permaneceram por muito tempo.

Outra parte importante do penúltimo dia foi a “Rota dos Escravos”, um episódio triste que não se pode esquecer. Visitamos a rota que os escravos faziam desde a praça onde eram negociados até a porta do “Não Retorno” feita de forma simbólica onde os navios negreiros aportavam para levá-los. Acredita-se que cerca de 9 milhões de escravos saíram em direção às Américas.

12º Dia: Ouidah – Cotonou

Esse foi o último dia.

A praça onde milhares de escravos eram negociados e a casa do brasileiro mais famoso por aqui (hoje sua família ainda é muito influente): SOUZA, conhecido pelo rei como CHACHA. 

Voltando para casa com as melhores memórias possíveis do Benin

Cheguei com o coração muito mais feliz, com muita alegria ao voltar de um país lindo, que me surpreendeu positivamente em todos os aspectos. Quando pensamos em África, geralmente pensamos em animais, em safári… Por vezes esquecemos que o continente tem muita cultura, muita história, muita gente bonita e uma culinária super interessante.

Então deixo aqui a minha sugestão para todo mundo que quer conhecer uma África um pouco diferente, quase intocada, onde o turismo ainda não chegou em massa. Um lugar que ainda está se descobrindo turisticamente. 

Que muitos brasileiros possam conhecer e se encantar, assim como eu, com toda a beleza, a alegria, a cultura e o povo acolhedor do Benin.

Agradecimentos especiais

Um agradecimento especial ao Omar, meu guia local. Formado em Direito e Relações Internacionais, fluente em espanhol, inglês, francês e alguns dialetos regionais. 

Tem um vasto conhecimento histórico, político e cultural. Uma pessoa agradável por demais, sempre pronto a ajudar, não tem hora para começar e terminar… Até para um bar/balada local fomos juntos! 

Agradeço também ao receptivo local – Rift Valley.

E agradeço muito todo mundo da Adventure Club pela logística, ajuda, proatividade, por tudo de positivo em mais uma viagem.

Viajando por Benin, um país africano cheio de histórias para contar

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