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Blog / Diário de bordo

Chapada dos Veadeiros em família: uma experiência de reconexão

jul, 29
Texto escrito por Eliane Leite, Diretora da Adventure Club

Quando a Gabriela, minha filha mais velha, estava prestes a fazer dois anos, eu e meu marido, o Bruno, combinamos que dali em diante não faríamos mais festas de aniversário, e sim viajaríamos em família para destinos de natureza. 

Na nossa percepção, viagens são os melhores presentes que podemos ganhar ou dar a alguém. São ensinamentos para a vida. E o que mais um pai ou uma mãe quer para seu filho senão entregar o melhor da vida? 

Dando início à nossa tradição, que hoje leva mais de 10 anos, viajamos para a Chapada dos Veadeiros.

Sempre vou me lembrar daquela linda tarde finalizando a trilha do Rio dos Couros, quando a Gabi, tão pequenininha, nos disse: “vamos, gente, essa é a hora dos Busquitos. Vamos levar busquitadas!”. 

Em 2011, nasceu a Jana, nossa caçula – uma figura que alegra nossas vidas, se destaca onde chega e é super bem resolvida. Nós quatro juntos viajamos para lugares muito especiais, como Chapada Diamantina, Deserto do Atacama, Serra do Cipó e Serra da Canastra, sempre trazendo conosco memórias afetivas. 

Para comemorarmos os 11 anos da Jana (julho de 2022), fomos novamente para a Chapada dos Veadeiros – essa foi a minha terceira vez por lá. Aproveitei para conhecer algumas cachoeiras que não conhecia, claro, mas a intenção da viagem era realmente ter essa conexão em família. As meninas amam, se divertem e aprendem muito com cada experiência. E nós também!

Chapada dos Veadeiros em família: uma experiência de reconexão

Chapada dos Veadeiros em família

O legal de viajar para a Chapada dos Veadeiros em família, principalmente com crianças, é a grande quantidade de trilhas e atrações naturais. Os passeios começam bem cedinho, então dá para curtir o dia todo juntos, caminhando, conversando e aprendendo com os guias locais que nos acompanham. 

Para ser sincera, as meninas não gostam muito de andar e fazem boa parte do percurso perguntando “falta muito?”, mas sempre tentamos incentivá-las a curtir a caminhada e ter esse contato mais próximo com a natureza. No fim, sempre ficam felizes e entusiasmadas com tudo que viram. Isso pra mim é algo que nenhum outro presente poderia proporcionar.

Alguns dos atrativos que visitamos foram: Cachoeira do Segredo, Vale da Lua, Mirante da Janela, Cachoeira do Label, Cataratas dos Couros, Cachoeira Santa Bárbara, Cachoeira da Capivara e Cachoeira Simão Correia.

Povoado Kalunga do Engenho II

Além das paisagens naturais, que são fascinantes, a Chapada também é muito rica em história, cultura, tradições e pessoas inspiradoras. Um dos lugares mais interessantes para visitar é o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, que abriga 39 comunidades (entre elas, a do Engenho II) e lindas cachoeiras como a Capivara e a famosa Santa Bárbara.

Conforme nos contou a Lourença, guia super querida e atenciosa que nos acompanhou nesse dia, os povos Kalunga, descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil, vivem há mais de 300 anos na região e mantêm preservadas suas tradições.

Os quilombos ou quilombolas cultivam os próprios alimentos, como a mandioca, o arroz e o milho, com total respeito ao meio ambiente e ao Cerrado. As plantações são feitas em pequenas roças; nos “vãos” da serra, que representam apenas 40% de todo o território Kalunga. A comunidade também transforma frutos e sementes típicos da região (como o babaçu, o pequi e o baru) em deliciosos pães, bolos e cereais e os vendem principalmente para turistas que visitam a região, gerando, assim, fonte de renda para a população. 

Foi muito bacana ver de perto e entender sobre as tradições do povo quilombo a partir dos relatos da Lourença. Ela também nos contou que, a cada ano, a comunidade se fortalece. Na época em que ela era mais nova, precisava sair dali para estudar e trabalhar; hoje, seus cinco filhos não precisam, pois o governo implementou uma escola na região. Essa fala me marcou muito: “eu não passei o que meus pais passaram e meus filhos não passaram o que eu passei”.

Depois de um dia cheio de trilhas…

Em uma das noites, depois de um dia cheio de trilhas, propus de sairmos todos juntos para comermos algo. As meninas não quiseram ir e disseram que ficavam esperando no quarto. Como já são grandinhas e ficam bem sozinhas, fomos e avisamos que qualquer coisa estávamos por perto; era só elas chamarem. 

Aproveitei a oportunidade para ir comprar um vestido que tinha visto dias antes. Entramos na loja, que ficava dentro de um espaço cultural, e de repente ali no lugar começou a tocar forró ao vivo. Só para contextualizar: quando não tínhamos a Gabi e a Jana, íamos muito no forró. Dançar sempre fez parte da nossa história. 

Isso que eu sempre falo sobre conexão, sobre o universo trazer as coisas… Saímos para tomar uma cerveja, desviamos para eu comprar o vestido e acabamos curtindo a noite dançando forró, como fazíamos no começo. Num único lugar, encontramos tudo (e muito mais) que queríamos/procurávamos. 

Pé na terra, poeira, rio, cachoeiras, gente do bem, comida boa, família e amigos 

Uma viagem é feita de lugares, cores, cheiros, sabores, cultura, história e, principalmente, pessoas. Eu particularmente tenho muita sorte, sempre encontro pessoas maravilhosas pelo caminho, que marcam presença e fazem a diferença.

Nosso muito obrigada aos guias Anderson e Lourença!

Acredito que essa viagem tenha sido tão surpreendente para as minhas filhas e o meu marido quanto foi para mim. Fomos com o intuito de curtirmos a companhia um do outro, com carinho, cuidado e atenção, pois com a correria do dia a dia – escola, trabalho, curso de inglês, aula de natação – muitas vezes acabamos deixando de lado o que realmente importa: o olho no olho, o abraço, a escuta com atenção, o café da manhã sem pressa… E foi isto que vivemos: uma reconexão entre irmãs, mãe e filhas, pai e filhas, marido e mulher. Uma reconexão em família! 



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