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Palestina – Uma Caminhada pela História

abr, 16

E como comentei anteriormente, depois de intensas atividades na Jordânia, lá fui eu, em busca do algo a mais também na Terra Santa. Seria quase inevitável não falar sobre religião e questões políticas. Mas acho que tudo isso faz parte e cabe aos leigos respeitar sem julgar. Atravessei a fronteira terrestre em Allenby Bridge que fica a uns 50km Amman.
As distâncias não são longas, como exemplo, na volta saímos de Belém, passamos pelo Mar Morto, atravessamos a fronteira e ainda sobrou um tempo livre em Amman até o horário do vôo à noite. Entrar em terras Palestinas por terra levou mais tempo na imigração com inúmeras perguntas feitas pela Segurança de Israel. A saída é mais tranquila. Mas nada que tirasse o brilho de conhecer um pouco de muito que já tínhamos lido. Não cabe aqui esclarecer as diferenças entre Palestina e Israel, mas é evidente que existem. Refletem no dia a dia de todos, acesso a ruas, escolas, monumentos, preservação de parques, reconstrução de casas e se estendem a regiões como o deserto, onde a vida dos beduínos é diferente do que vimos na Jordânia. E nem por isso a viagem ficou mais “séria”, muito pelo contrário encontramos pessoas, jovens e mais velhos que nos mostraram que histórias do passado, presente e futuro se misturam e não se sentem vitimados ou protagonistas, nem heróis ou vilões, apenas pessoas como todos nós com suas crenças e valores.

Chegar a Jerusalém à noite, deu um toque nostálgico com o contraste de luzes e sombras, uma pena que as lojas já estavam fechando. Mas a cidade antiga, toda murada é um convite para ficar mais tempo, se perder pelas ruas, imaginar como era tudo aquilo a tantos 3 mil anos a.C. Sempre dê uma olhada em qual cidade vai estar entre sexta a domingo, pois as lojas ficam fechadas conforme os costumes da religião predominante. Jerusalém por exemplo, é judaica e fecham o comércio sexta e sábado. Já em Belém, mais cristã, fecha aos domingos como nós.
Ainda assim, passando pelos souks pudemos ver um pouco do cotidiano com as bancas de frutas secas, damascos e tâmaras e o vai e vem logo cedo dos carregadores de pães que saiam com seus carrinhos de túneis quase invisíveis.

E claro, passamos pelos pontos principais, como o Muro das Lamentações, a Capela do Santo Sepulcro e apreciamos a cúpula dourada, conhecida como Domo da Rocha, um dos símbolos mais sagrados para o islamismo, supostamente o local de ascensão de Maomé ao Céu.


Passamos ainda por Sabestia, Nabulus e Taybeh, cada uma com sua importância histórica e uma herança cultural ainda viva. Conhecemos como é feito um dos doces mais famosos, o kunafe (em um grande tacho se derrete o queijo e joga o farelo de milho por cima) e jantamos na casa de uma família local. Aliás, esta prática de “guest house” tem contribuído com uma renda extra para os moradores que oferecem hospedagem e refeição.

Este sistema tem funcionado também para aqueles caminhantes que querem percorrer a Masar Ibrahim Al-Khalil, uma rota que se estende por 330km em terras palestinas, similar ao Caminho de Compostela. Fizemos uma caminhada em Ain Samia, percorrremos Wadi Al’-Auja no Vale Jordão. A região abriga muitos beduínos que vivem do pastoreio. Pelo caminho cabras e carneiros, um vale verde com muitas flores (pelo menos neste começo de primavera).

Em Jericó, visitamos os principais sítios arqueológicos de bicicleta: Monte das Tentações, Palácio de Hisham e o Grande Herodes. À noite, passamos em um assentamento de beduínos. Tudo muito simples, nada de banho, dormimos na tenda principal exatamente como eles mesmos vivem. Mas os colchões eram confortáveis e a comida saborosa (coalhada, pães, homus e frango é o menu garantido).
Mas a questão aqui não é sobre conforto e nem experiência turística. Entramos naquela questão do não julgar, para entender um pouco sobre as outras pessoas: quem são os beduínos, quais têm sido suas escolhas e lutas, como têm se adaptado com as questões políticas em terras ainda incertas e clima não menos árduo (durante o verão sobem as montanhas). Este acampamento fica próximo ao nível do Mar Morto, localizado a 400metros abaixo do nível da superfície, o clima costuma ser mais quente do que em outras regiões.
E a paisagem no deserto é realmente aquela que remetem as histórias e filmes como Lawrence da Arábia. O nascer do sol muda as cores das montanhas e foi neste clima que saímos em 4×4 pelo Vale Kidron.

E de lá caminhamos até o Monastério Mar Saba. Ainda que as mulheres não possam entrar, a descida e subida da montanha pode garantir uma emoção a mais. O Monastério Ortodoxo Grego foi construído em 584 d.C. por 5mil monges seguidores de San Saba.

E a viagem chega ao fim em Belém, a cidade da Natividade. Realmente tem uma atmosfera mais leve com movimentação na praça central, com lojas de souvenirs e restaurantes. Comemos o prato conhecido como Maqluba ou “up side down” uma mistura de arroz, frango, batatas e legumes e que vem embrulhado e virado na bandeja na hora de servir.

Mas acho que não podemos deixar de mencionar que por Belém passa o Muro que separa Israel dos territórios palestinos da Cisjordânia. Uma barreira que percorre 760Km com alguns pontos medindo 8 metros de altura. É referida como “Cerca da Separação ou Segurança” pelo Governo Israelense e começou a ser construída em 2002. Vale a reflexão pessoal de cada um sem abrirmos aqui qualquer discussão. O muro em Belém acabou sendo usado pela arte do grafite com frases e imagens temáticas. A arte vem substituindo as pichações em várias partes da cidade incluindo obras do famoso artista e misterioso Banksy.

Foi uma viagem linda! Repleta de histórias, cheiros e sabores e que serviram de cenário para algo muito maior: conhecer pessoas e famílias, generosas e hospitaleiras independente de suas crenças e costumes.

Shukran !!

 

Mayumi Taquista, gestora de produtos da Adventure Club, viajou a convite da Jordan Tourism Board para o evento de aventura NextNear East Jordan e compartilha aqui sua experiência. 

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