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Proximidade entre natureza e cidade encanta em Belém do Pará

set, 24

JOSIMAR MELO

COLUNISTA DA FOLHA

 

Rogério Assis/Folhapress

Um silêncio sobrenatural, riscado por raros ruídos silvestres abafados pela vegetação intensa, é das lembranças mais fortes que tenho de um passeio de barco pelos “furos e ilhas” que cercam Belém do Pará.

Embora a minutos do centro da cidade, de cujo porto a traineira se soltou pela baía de Guajará, logo estávamos imersos num cenário amazônico, navegando pelos igarapés, observando as margens frondosas. Ao desligar-se omotor do barco, o silêncio nos remetia ao umbigo do Brasil.

Mas Belém, e a civilização, estavam ali ao lado. Essa proximidade dos dois extremos é o que mais me encanta na cidade.

É algo que se impõe a todo instante. A natureza está presente brutalmente nas pancadas de chuva diárias, na alta umidade do ar, na presença ali ao lado do rio Amazonas, cujo braço de mar envolve ali a ilha de Marajó.

A comida é maravilhosa e marcada pela proximidade com a natureza (sim, o alimento não nasce nas bandejas de supermercado).

Do tacacá que se come nas ruas (o mais autêntico dos pratos brasileiros, quase pré brasileiro), ao festejado pato (ou peixe) no tucupi. Sem falar no casquinho de muçuã, tartaruguinha que hoje se pode criar para o consumo.

No mercado, peixes de aparência jurássica, ervas com aromas gustativos e curativos, garrafas de tucupi, tudo remete à cultura da selva, inclusive a bela e frenética feira do açaí que acontece nas madrugadas bem ao lado.

Nos restaurantes mais festejados –como o Lá em Casa, da família de Paulo Martins, banhado pela mansa baía do Guajará, e os Remansos do Peixe e do Bosque, dos irmãos Castanho– o que brilha não é a cozinha europeia, mas a de ingredientes nativos.

Mas, no meio de tanta selva, está a mão do homem, que, entre muitos estragos, também deixou belas marcas.

O próprio Mercado VeroPesotem uma imponente estrutura de ferro datada do começo do século. Época da riqueza da borracha, que produziu aindamarcos arquitetônicos como o Theatro da Paz e o cinema Olympia.

Em Belém tenho que comer pirarucu, mas também ir ao museu Emílio Goeldi.

Tenho que passear diante do que resta de fachadas coloniais. E tenho que fazer meu farnel, como eles: o paraense é famoso pelas caixas de isopor que despacha no avião quando viaja para fora de casa (com jambu, pimenta de cheiro, açaí de verdade…. e pratos prontos).

Também deveria ir à grande festa local, o Círio de Nazaré. Este eu tenho perdido, ano após ano, e lamento. Mas acho que devo ir, apesar da multidão que me cansa. Deve ser como o desfile de Carnaval no Rio: é preciso ir ao menos uma vez na vida, e se extasiar. Mas este eu já tiquei.

 

Programa de viagem

R$ 4.299

Seis noites para passar o Réveillon na Ilha de Marajó (4 noites) e mais duas noites em Belém. Com café e passeios. Na Adventure Club: (11) 55734142;

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Fonte:  Folha Online

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